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Laudo psicológico: diferenças em relação a outros documentos

O laudo psicológico é o único documento que, pela Resolução CFP nº 06/2019 (art. 13), é o resultado de um processo de avaliação psicológica. Três coisas o separam dos demais: tem seis itens, sendo o último as referências; a conclusão pode trazer diagnóstico e prognóstico; e a entrevista devolutiva é obrigatória. Se não houve avaliação psicológica, o documento não é um laudo, por mais que o pedido use essa palavra.

O que define um laudo

O laudo psicológico existe para subsidiar uma decisão ligada à questão que motivou o pedido: uma decisão de saúde, de trabalho, escolar ou judicial, por exemplo. Ele se apoia na análise de dados obtidos com métodos, técnicas e procedimentos reconhecidos cientificamente.

A própria Resolução nº 06/2019 remete às regras de avaliação psicológica. Hoje essas regras estão na Resolução CFP nº 31/2022, que substituiu a Resolução nº 09/2018. Ela trata a avaliação como um processo estruturado de investigação e lembra que testes psicológicos são de uso privativo do psicólogo e devem seguir o manual aprovado no SATEPSI, o sistema do CFP que avalia os testes.

Em resumo: antes de escrever um laudo, precisa ter existido uma avaliação planejada, com objetivo, método e período definidos.

As diferenças, documento por documento

Laudo e declaração

A declaração informa fatos objetivos do atendimento, como comparecimento, dias e horários. Não pode trazer sintomas nem estados psicológicos. O laudo é o oposto: existe justamente para analisar o funcionamento psicológico a partir de uma avaliação.

Laudo e atestado

Os dois partem de avaliação psicológica, e aqui mora a confusão mais comum. O atestado certifica uma situação ou estado psicológico de forma breve, para uma finalidade definida, como justificar um afastamento. O laudo apresenta e fundamenta o resultado da avaliação: mostra a demanda, os procedimentos, a análise e as referências que sustentam a conclusão.

Laudo e relatório psicológico

O relatório psicológico descreve a sua atuação, por exemplo num acompanhamento psicoterapêutico, e não tem finalidade de produzir diagnóstico. O laudo nasce de uma avaliação e pode concluir com diagnóstico. Os dois exigem entrevista devolutiva.

Laudo e relatório multiprofissional

O relatório multiprofissional registra o trabalho em equipe, com a análise de cada área separada. O laudo é um documento da psicologia. A norma admite que o laudo ou as informações da avaliação componham um documento único com a equipe, mas pede atenção ao sigilo profissional nesse caso.

Laudo e parecer

O parecer responde a uma questão técnica, muitas vezes a análise de outro documento psicológico. Ele não resulta de avaliação nem de intervenção com a pessoa. Quem faz o parecer não avaliou ninguém; quem faz o laudo, sim.

Quadro comparativo

Documento De onde nasce Pode ter diagnóstico? Devolutiva
Declaração Fatos do atendimento Não Recomendada se solicitada
Atestado Avaliação psicológica Certifica um estado com base em diagnóstico Recomendada se solicitada
Relatório psicológico Atuação do psicólogo Não tem essa finalidade Obrigatória
Relatório multiprofissional Atuação em equipe Não tem essa finalidade Recomendada se solicitada
Laudo psicológico Avaliação psicológica Sim, com base técnico-científica Obrigatória
Parecer psicológico Questão técnica Não resulta de avaliação Recomendada se solicitada

O que só o laudo tem

Seis itens, com referências

O laudo tem os cinco itens dos relatórios (identificação, descrição da demanda, procedimento, análise e conclusão) e mais um: referências. É obrigatório informar as fontes científicas ou bibliográficas usadas. A versão comentada da resolução orienta colocá-las em nota de rodapé.

Conclusão com diagnóstico e prognóstico

Na conclusão do laudo podem entrar encaminhamentos, intervenções, diagnóstico, prognóstico e hipótese diagnóstica. Nem todos precisam aparecer. Mas, quando houver diagnóstico ou hipótese diagnóstica, eles precisam ter base técnico-científica. A conclusão responde à demanda e não vai além do que a avaliação permitiu concluir.

Devolutiva como dever

Para o laudo, a resolução torna dever fazer ao menos uma entrevista devolutiva com a pessoa avaliada, o grupo, a instituição ou os responsáveis. Se ela não puder acontecer, você precisa explicar os motivos.

O que ele divide com os outros

Algumas regras valem para o laudo como para os demais documentos: prazo de validade no último parágrafo, páginas numeradas e rubricadas com assinatura na última, entrega com protocolo e guarda do documento e do material que o fundamentou por no mínimo cinco anos, conforme a Resolução CFP nº 001/2009.

Exemplo fictício

Uma empresa encaminha um pedido: “precisamos de um laudo psicológico” de uma funcionária que voltou de licença. A psicóloga conversa com quem pediu e com a funcionária. Descobre que a empresa quer saber se ela está apta a retomar uma função específica.

Como a pergunta pede uma decisão baseada no funcionamento psicológico, ela planeja uma avaliação: define objetivos, escolhe entrevistas e instrumentos com parecer favorável no SATEPSI e combina o número de encontros. Ao final, escreve o laudo com os seis itens, responde só à pergunta sobre a função, faz a devolutiva com a funcionária, entrega com protocolo e guarda a cópia. Se a empresa precisasse apenas comprovar que a funcionária compareceu às sessões, bastaria uma declaração. Todos os dados são fictícios.

Erros comuns

  • Chamar qualquer texto de laudo. Sem avaliação psicológica, o documento não é laudo.
  • Esquecer as referências. São obrigatórias no laudo.
  • Diagnóstico sem base. A conclusão precisa se apoiar nos dados da avaliação.
  • Responder além da pergunta. O laudo atende à demanda que o originou.
  • Pular a devolutiva. Para o laudo, ela é dever.

Antes de escrever

As resoluções do CFP podem ser atualizadas. Confira o texto vigente da Resolução nº 06/2019, da Resolução nº 31/2022 e a situação dos testes no SATEPSI antes de cada avaliação. O Manual Orientativo do CFP, lançado em dezembro de 2025, traz exemplos de cada documento. Este artigo é uma orientação geral e não substitui a leitura das normas.

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